3 de junho de 2015

Diz-me Por Onde Andas | Entrevista: Joana Diogo


PASSAPORTE À LA TRIPPING IN TRIPS



Nome | Joana Diogo
(Autora do blog O que vem à rede é peixe)

Idade | 28

Nacionalidade | Portuguesa

Países visitados | 17

Continentes visitados | 4



Viajar a solo, a dois ou em grupo | A dois. Já viajei em grupo e sozinha. Gosto de partilhar a experiência da viagem, detesto viajar sozinha. Dois é o número perfeito, tudo é mais sentido.

Viajar a baixo custo, custo médio ou 5* | Sempre que posso, e até agora tive essa sorte, a custo médio. Permite-nos ter o conforto para usufruir dos sítios, nada melhor do que voltar ao hotel e ter certas comodidades à nossa espera, mas também permite-nos estar em contacto com o "verdadeiro" país e as "verdadeiras" pessoas que o constituem, sem ficarmos com uma perspectiva irreal de quem viaja em 5*. No entanto, aproxima-se a minha primeira viagem 5*, a lua-de-mel. Uma experiência diferente ao fim de 5 anos a viajar!

Mochila ou Trolley | Para a Europa trolley, mas prefiro ir de mochila às costas para a Ásia. É a perspectiva da aventura no seu melhor.

Transporte preferido para viajar | Grandes deslocações, avião (embora deteste andar de avião, tive de me resignar). Pequenas distâncias sempre o comboio.

Objecto indispensável na bagagem | Máquina fotográfica! Sempre.


ENTREVISTA


Como surgiu o gosto pelas viagens?
Nunca viajei com os meus pais. A primeira vez que pisei um avião tinha 21 anos. Nunca mais parei. Sempre que volto de uma viagem, ainda não saí do voo de regresso, já planeei a próxima na minha cabeça. É uma fome que nunca está saciada. Um vício, um certo frenesim. Escolher o país, estudá-lo, encomendar o guia de viagem, marcar o voo. Começo a planear tudo com meses, muitos meses de antecedência. Adoro a preparação. Adoro ir! Quando estou mais em baixo imagino-me nos sítios mais remotos do mundo e isso traz-me alguma paz de espírito. Foi uma descoberta tardia, mas a que mais me faz feliz.

Que experiência ou retorno procuras quando viajas?
Sou muito ansiosa, desde criança. E tenho alguma tendência para ser negativa em vários aspectos da minha vida. Viajar traz-me mais serenidade, mais paz. Mostra-me as condições em que certas pessoas vivem e, sejam elas boas ou más, fazem-me "desdramatizar" a minha própria vida/ situação. Adoro conhecer sítios mágicos. Um que tinha em vista há vários anos era Angkor, os templos no Cambodja. Sei que quando pisasse aquele chão sagrado ia praticar o desapego irracional desta ansiedade que me persegue. E foi exactamente o que aconteceu. Gosto de me sentar, seja na praia, a ver o mar, num banco de jardim de uma cidade europeia, descalça no chão de um templo, e absorvo toda a experiência. Falo comigo mesma em silêncio.



Qual foi a tua primeira viagem? Fala um pouco sobre essa experiência.
A minha primeira viagem foi para apresentar o meu trabalho de final de curso, em Viena. E aproveitei para juntar uns dias em Budapeste. Estava bastante em baixo na altura, tinham-me diagnosticado uma doença crónica há pouco tempo. Um frio horroroso, muita neve. Foi, por mais incrível que pareça, a pior viagem da minha vida. Fui com um namorado que terminou o namoro comigo assim que regressámos e, por isso, tinha tudo para não querer voltar a viajar. Aconteceu exactamente o contrário. Acendeu-se uma luz cá dentro.

Qual foi a maior aventura ou o momento mais marcante que viveste durante uma viagem?
Para mim a maior aventura aconteceu na Tailândia. Sou completamente apaixonada por animais, estávamos em Chiang Mai e, de repente, decidimos ir visitar um género de "orfanato" para tigres. Foram os 15 minutos mais deliciosos da minha vida. Dei biberão a tigres ainda bebés, brinquei com eles, fotografei-os. Ainda me lembro daquele cheiro a bebé preso ao pêlo deles. Momentos marcantes foram dois. Os que recordo com mais intensidade. O primeiro foi o meu pedido de casamento no Central Park, em Nova Iorque. Chorei. Só me apetecia voltar rápido para contar a toda a gente e estava no centro do mundo! O segundo foi em Novembro passado, no Cambodja, num templo perdido em Angkor. Fomos abençoados, eu e o João, por um monge. Foi muito inesperado e muito sentido pelos dois. Marcou-nos.



E a maior dificuldade com que tiveste de lidar?
Na mesma viagem ao Cambodja, uma viagem de barco que não correu nada bem, entre ilhas. Um temporal em mar alto, toda a gente a vomitar à nossa volta, duas horas lá enfiados quando devíamos ter demorado 40 minutos. Muito mal dispostos. Horrível. E só de pensar que tínhamos de voltar da mesma forma, ia-me saltando o coração do peito só de pensar! De resto não tenho grandes episódios, somos muito organizados, planeamos tudo e por isso é raro alguma coisa correr mal. Não gostamos de surpresas desagradáveis por isso normalmente sabemos o que nos espera.

Qual é a tua viagem de sonho e porquê?
Tinha duas viagens de sonho. Já as fiz. Nova Iorque e Cambodja. Mas claro que, quanto mais viajamos mais queremos conhecer. Por isso mesmo, já tenho dois novos sonhos. Fazer a Route 66, nos EUA (sou apaixonada pelos EUA) e conhecer a Islândia. Eu sei, é estranho, mas não me sai da cabeça :)


Viajar é conhecer novas culturas e isso também envolve a parte gastronómica. Qual foi a comida que mais te conquistou durante uma viagem?
Itália e Irlanda. A primeira conhecida mundialmente não deixou qualquer rasto para dúvidas. Já sou uma apaixonada por massas e queijos, por isso só podia sentir-me "em casa" a comer em Itália. A segunda, que muito me surpreendeu, foi a Irlanda. Come-se maravilhosamente. Sabem fazer puré de batata como ninguém e o estufado deles é qualquer coisa que me faz pensar em sofá, mantas e chuva lá fora, comida de conforto no seu melhor!

Já tens planos para uma próxima viagem? Partilha.
A próxima viagem será, como não pode deixar de ser, a lua-de-mel. Vou casar em Setembro e foi a viagem até agora mais difícil de decidir. Ora porque não era ao gosto dos dois ou pela previsão meteorológica, foi uma decisão muito complicada, para um momento tão importante e que vamos recordar para sempre. Acabámos por subir um bocadinho o budjet e vamos experimentar o que há de melhor em Ubud, Indonésia (a Ásia não deixa de nos perseguir!). Apesar da dificuldade na escolha da lua-de-mel, quando aterrámos vindos da Irlanda já tínhamos decidido a viagem do próximo ano. Vai começar a tomar forma brevemente porque tem de ser planeada com muito cuidado. Essa sim, será provavelmente a nossa maior aventura. A seu tempo vou desvendar no blog :)

Quanto a Portugal, qual é o teu destino de eleição e porquê?
Em Portugal tenho um íman que me atrai para o Alentejo. Os fins de semana fora são normalmente para esse destino. Adoro a gastronomia, o misto de campo e praias quase desertas. Sou perdida pela costa alentejana. 


Se tivesses de viver fora de Portugal qual o país que escolherias e porquê?
Nunca tive de viver fora de Portugal e, apesar de já ter tido propostas para fora, é uma das coisas que só faço em último caso. Adoro viajar, nunca fico satisfeita, quero conhecer tudo, mas a minha casa é aqui. Expressar-me, nas palavras que conheço desde que nasci, é o meu maior conforto e segurança. Viajar é muito bom, mas voltar a casa não tem preço. Depois de algumas viagens que fiz, a primeira vez que usei a expressão "era capaz de viver aqui" foi em Itália. O João ficou super surpreendido porque nunca tinha ouvido tal coisa da minha boca. Depois de Itália, fascinei-me pelos EUA, quando conheci NY. Mas a Irlanda arrebatou-me o coração. Imaginava-me naquelas casinhas em frente ao mar e com ovelhas no quintal a perder de vista.

Há muita gente que nunca viajou por variadas razões: medo, dinheiro, tempo. Que conselhos darias a alguém nessa situação?
O tempo é sem dúvida a parte mais difícil de "dar a volta" Costuma dizer-se que "Quando há tempo, não há dinheiro. Quando há dinheiro, não há tempo". O dinheiro arranja-se. Muitas vezes deixei de ir comer fora, fiz contas no supermercado e não comprei aquela peça de roupa que queria mesmo, porque queria viajar. Vou pondo dinheiro de parte mesmo quando ainda não tenho destino certo. O destino chega sempre e o dinheiro já lá está, ou parte dele.

Compro sempre os voos mais baratos, aqueles das promoções que aparecem duas vezes por ano e não tenho grandes luxos em viagem. Mas a experiência vale por tudo. Por todos os medos. Eu, com uma doença crónica, que por vezes me limita bastante, respiro fundo, levo os medicamentos todos e embarco na aventura. Não consigo que o medo me vença, o prazer de viajar abafa tudo. E há muitas vezes que não durmo nas noites antes das viagens, que revejo a mala vezes sem conta, que levo tudo escrito e os números de telefone para o caso de precisar de algum apoio estando lá. Mas como dizem, Deus protege os audazes e até agora correu tudo sempre pelo melhor. A adrenalina dispara e o corpo adapta-se. Somos capazes de tudo!


TRIPPING IN TRIPS QUICK QUIZ


A viagem perfeita? 
Tailândia, 2013.

A comida perfeita? 
Irish Stew.

A batida perfeita? 
A batida perfeita é por cá, rodeada de amigos, numa noite de verão. Quando ando lá fora, vivo tudo ao máximo durante o dia, absorvo tudo, à noite caio na cama e morro para a vida :)




Segue a Joana e as suas aventuras também nas redes sociais:

Imagens gentilmente cedidas por Joana Diogo.

2 comentários:

  1. Oh Carina! Adoro :) Obrigada por teres pensado em mim!
    Beijinho enorme!

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    Respostas
    1. Eu é que agradeço a tua disponibilidade e simpatia. :D A partilha das tuas experiências foi deliciosa de se ler e ver - as fotos são lindas. Beijinhos!

      Carina

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