2 de abril de 2015

Cabo Verde | São Vicente - Diário de Viagem #1

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Cabo Verde foi o destino da minha primeira viagem há 13 anos - podem ler mais sobre esta experiência aqui. Nessa viagem encontrei a parte que me faltava, a metade de mim. Porque embora eu tenha várias origens - algumas que sabemos apenas pelo passa a palavra - as minhas partes essenciais são a portuguesa e cabo-verdiana. Entretanto, uns anos depois dessa viagem, os meus avós faleceram. Foi um golpe grande em mim. Senti que não lhes tinha dado a atenção devida quando lá estive em 2002 e foi praticamente a primeira (e última) vez que estive com eles. A culpa que comecei a sentir adiou o meu regresso. Até que uma coragem súbita apoderou-se de mim. Está a ser um ano de grandes mudanças na minha vida e talvez seja por isso que tive esta força, por pensar que não teria hipótese de lá ir em breve e sabia que precisava de resolver algumas coisas.


E tudo conspirou a favor. Em 4 dias resolvi tudo: pensei, decidi, comuniquei a quem devia e comprei as passagens. Mais uma vez a sorte esteve do meu lado, encontrei uma passagem mega barata, de ida e volta pela TACV, por 275€. Em voo directo! Não tive de comprar estadia porque iria ficar em casa de familiares. Portanto, era só pegar em mim e ir. Até dia 13 de Março, data da partida, estive tão ansiosa, preocupada, com medo, pensava demasiado nas coisas. Era o medo de voltar para uma terra que eu vi com 15 anos de idade. Eu iria voltar mulher, adulta, com mais 13 anos de experiência de vida. Iria voltar diferente para uma terra que, pela ordem natural das coisas, também teria mudado. Para uma terra em que já não teria os meus avós, aqueles a quem eu gostaria de pedir desculpa.


Estive durante as 4 horas de voo completamente nervosa, nunca estive assim em nenhuma viagem. Até na hora de comer, eu que não sou de dizer que não a um pestiquinho, desceu tudo torto! No momento em que o comandante disse que em 10 minutos iríamos aterrar em São Vicente desatei a chorar, silenciosamente, sem conseguir conter as lágrimas que escorriam pelo rosto sem que eu as quisesse. O Helder segurou-me a mão, disse para ter calma. Eu disse: "Sinto medo não sei do quê. Mas também felicidade, estas lágrimas são de felicidade." O mesmo turbilhão de emoções que conviveu comigo durante os 8 dias em que estive em Cabo Verde. 



Fui recebida calorosamente no aeroporto por vários familiares que fizeram de tudo para me sentir bem-vinda e querida por todos eles. Foram incansáveis. Durante estes dias eles foram a prova viva da Morabeza, algo tão cabo-verdiano. Muitos deles vejo todos os anos quando vêm a Portugal mas vê-los noutro contexto, no local onde moram e têm as suas vidas, foi diferente. Choveram convites para passear, tomar o pequeno-almoço, almoçar, jantar, sair, ouvir música! Fiquei alegremente assoberbada por ter tanta gente interessada em mim, em nós. Vimos e fizemos tudo em tempo record. Houve uma ou outra coisa que deixámos para a próxima, até porque nos lembrámos que o dia tinha apenas 24 horas e algumas delas seriam para dormir - senão colapsávamos.


Voltando ao dia da chegada, foi no dia da festa de aniversário de uma das minhas tias. Todos estavam ocupados com os preparativos. Pensei que nesse dia não teria tanta atenção das pessoas mas foi completamente o oposto. Mal chegámos a casa, entreguei as encomendas que a minha mãe se encarregou de colocar numa bagagem especificamente para o efeito (bacalhau, chouriço, queijo, etc.), almoçámos e fomos ajudando nos preparativos da festa. Entretanto, o pessoal pegava em nós e ía-nos 'passeando' de carro enquanto íamos buscar o bolo de anos, comprar as velas, comprar gelo, fazer algum recado, etc. Fui revendo um pouco de Mindelo, estava um dia muito nublado e ventoso, como podem ver nas fotos, mas para mim o que interessava é que eu tinha regressado! Começámos em grande, com uma festa em família e onde tive a oportunidade de conviver de uma assentada com toda a família que vive em São Vicente.


No dia seguinte, começaram os passeios a sério e, com o dia mais aberto, pude certificar-me de que as casas de cores quentes e aquele mar de sonho continuavam tal e qual como estavam na minha memória. :) Aguardem pelo Diário de Viagem #2

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Dica 1 | Visto de Entrada: não percam o vosso tempo e dinheiro a ir ao Consulado de Cabo Verde em Portugal. É mais caro e não vale a pena a deslocação nem a espera. Embarquem no avião e quando saírem dirijam-se ao guiché, que vos irão indicar, e pagam 25€ pelo visto. Fácil.


DIÁRIO DE VIAGEM COMPLETO


Viagem: Março 2015

4 comentários:

  1. Ainda ha pouco tempo tinha o desejo de ir a Africa apenas quando fosse mais velha, com filhos criados e avida mais ou menos arrumada. Queria muito trabalhar na area da cooperacao e desenvolvimento local com essas pessoas que tanto precisam de um empurrao.
    Agora que estou na Formacao Especifica para o Voluntariado, estou 3ncantada com o projecto em Sao Tome e pela primeira vez na vida Africa chama me =)

    Adorei as tuas fotografias e grata pelas dicas, Cabo Verde parece um paraiso perdido :D

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    1. Cabo Verde é mesmo um paraíso e temos algumas ilhas que, felizmente, ainda não foram "atacadas" pelo turismo desenfreado. O turismo é necessário mas tudo com conta, peso e medida.
      Todas as pessoas deveriam ir a África pelo menos uma vez na vida. Parece que é mesmo ali que pertencemos, que foi ali onde tudo começou, sentimos tudo mais à flor da pele. :D

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  2. Uma viagem plena de emoção. Este primeiro diário já nos dá uma ideia de que vai ser maravilhosa. Cá fico à espera dos outros sete. As paisagens são belíssimas. A foto do Monte Cara ao fundo com a Carina em primeiro plano é de mestre. :)

    Bjs

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    Respostas
    1. Obrigada! Emoção é mesmo a palavra certa. Cabo Verde é o meu pedacinho de África que tanto estimo. Pois, faltam mais 7...ando a trabalhar neles ;)

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