15 de outubro de 2014

Destinos Improváveis | Vannes


Nas minhas pesquisas para a viagem que fiz este mês pela Riviera Francesa, acidentalmente encontrei Vannes. E como é que isso aconteceu? Perguntam vocês. Entrei no Google e enganei-me a escrever Cannes. Troquei o c pelo v, não reparei e cliquei enter. Continuei sem reparar e comecei a ver as imagens. Nada daquilo era o que já tinha visto e imaginado de Cannes, mas estava a gostar. No entanto, aquilo estava a fazer-me confusão...a arquitectura, as paisagens, as ruas, as casas...era tudo demasiado diferente. Para além disso, aquele mar azul clarinho não aparecia em lado nenhum. Voltei para trás e apercebi-me do erro. Daaah! Desatei a rir.

Afinal, do nada, Vannes caiu-me ao colo e, tal como Cannes, fica em França. Só que estão muito distantes uma da outra. Este é um destino improvável tanto pela forma como o descobri como por não ser um destino de primeira escolha para a maioria de nós. Mas garanto-vos que ficou na minha lista de destinos improváveis a visitar. E já sei como. Um dia, quando for a Nantes (existem voos a partir de Lisboa), vou de certeza a Vannes. Apanho o comboio e em cerca de 1h30 estou lá. Leve e fresca para percorrer aquilo tudo.


E como amante de história que sou, gosto de saber sobre o passado de cada local. Perceber porque é que as coisas são como são. A única resposta possível é a história, seja ela recente ou longínqua. E no caso de Vannes esta começou há mais de 2000 anos quando os romanos a fundaram! Contudo, o nome Vannes advém do povo celta que lá morou, os Veneti, ainda Cristo não tinha nascido, ainda nem os romanos tinham pensado em invadir o local. Mas claro, acabaram mesmo por invadi-lo em 56 a.C. e, pelo que consta, o destino dos muitos Veneti foi a morte ou serem vendidos como escravos. Ainda outro facto muito interessante é que, em Vannes, os megálitos constituem uma certeza de que esta foi ocupada pelo homem há mais de 5000 anos.

Geograficamente falando, esta terra, no Golfo de Morbihan, com pouco mais de 64 mil habitantes, pertence à região da Bretanha, no departamento de Morbihan. Na Antiguidade, a Bretanha pertencia a Armórica, actual região da Gália. No mapa vê-se que Vannes é recortada por dois rios, o Marle e o Vincin. A posição geográfica de Vannes possibilitou a sua ligação ao mar a nível de comércio, pelo que é uma terra muito associada ao mar e aos negócios que de lá provêm. Aliás, os Veneti eram um povo celta totalmente conotado com o mar.

Umas das coisas que mais me impressionou ao ver as imagens de Vannes é a sua arquitectura, é linda, linda, linda. Mas não a associei de imediato a França. Dá-me ares daquelas construções mais para os lados da Holanda ou Alemanha. E fascina-me saber que estes sítios têm a sua própria língua e tentam preservá-la ao máximo, neste caso, o Bretão. Deste modo, o Bretão descende das línguas celtas trazidas da Grã-Bretanha aquando das migrações dos seus povos para esta região, antes denominada de Armórica. Actualmente, existem escolas bilingues e programas nos midia em bretão tentando manter vivo o património linguístico que é tão importante como qualquer outro componente de uma cultura.


E se falássemos agora em comida? Será que a gastronomia bretã nos conquistaria? Bem, para uma região que tem o mar à sua frente, obviamente que o marisco, frutos do mar e peixe fazem parte da sua gastronomia típica. Portanto, por exemplo, o Lavagante bretão e mexilhões à marinheiro são pratos a experimentar. Os que gostam mais de carne (como eu!) podem experimentar o Kig-ha-farz - que significa carne e recheio - que é do mais tradicional que podem arranjar. E mais, podem provar: o crepe bretão (mais virado para os doces) e a galete bretã (mais virada para pratos salgados). Para sobremesa, há muita coisa, mas destaca-se a especialidade bretã Kouign amann que é um pastel rico em manteiga salgada. O segredo deste pastel está na qualidade da manteiga e o tempo de repouso da massa...parece fácil mas não deve ser. E como não podia deixar de ser, dado que é França, os queijinhos estão sempre lá, como o emmental e a raclette. Uma particularidade da região é a sidra! A bebida a ser bebida, passo a redundância, é mesmo sidra.

Entretanto, se alguém ficar tão interessado como eu em visitar Vannes, fica a dica de que em Julho, durante 3 dias, podem assistir à festa anual da cidade, as Fêtes Historiques. Nesta festa cultural acentuam-se as origens das gentes de Vannes, vestindo-se como antigamente, dentro de uma atmosfera medieval,  tocando instrumentos como a gaita de foles, teatro de rua, concertos e muitas outras actividades.



Site Oficial de Turismo de Vannes: http://en.tourisme-vannes.com/



Imagens: Fonte 1 | Fonte 2 | Montagem: Carina Teixeira | Conteúdo Histórico: Fonte 1 | Fonte 2 | Fonte 3

2 comentários:

  1. Huummm...

    Muito bom e muito muito bonito. :)

    Bj

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  2. Incrível! Eu não conhecia mas achei liiiindo :)

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