8 de maio de 2014

A Batida Perfeita | A Falha Cultural


Temos música de muita qualidade por terras lusas, como a dos HMB. Existem bandas que trazem uma sonoridade fresca, tratam a música como ela deve ser tratada - com alegria e respeito. Nem sempre são reconhecidas como deviam. A indústria musical é cruel para a maioria delas. A elite musical é extremamente restrita. Os lobbies minam qualquer indústria. As empresas/entidades - sejam elas pequenas ou grandes - quase sempre propõem que os fora-da-elite actuem de borla porque, mesmo sendo tu a trabalhares, acham que te estão a fazer um grande favor, quando na verdade estás a prestar um serviço. Serviço esse que para chegar ao produto final estiveste horas a fio a criar, ensaiar, repensar e experimentar com o material que suaste para comprar. E quando há cachet, muitas não pagam a tempo e horas. E quando queres tornar a coisa séria, colectares-te nas Finanças, inscreveres-te na SPA para a tua arte começar a gerar direitos e fazeres vida daquilo, nem sempre resulta. Tanto por quem te paga, que nem sempre quer declarar, como para te inscreveres na SPA que põe vários entraves a pequenos autores que, dizem eles, ainda não começaram a gerar direitos.

E pergunto: Será que está errado alguém querer salvaguardar as suas criações antes destas gerarem direitos? Isto porque cria-se, protege-se e a seguir dá-se a conhecer. Assim nenhum espertalhão poderá tirar o que é teu. Assim ficas salvaguardado de que, quando as tuas criações começarem a gerar direitos, começas também a ganhar com isso e de que ninguém com más intenções rouba as tuas ideias. Pois, mas pelos vistos veêm a coisa ao contrário. Primeiro cria-se, dá-se a conhecer e a seguir protege-se. 

Indústria à parte, nós não somos educados para ter a ideia clara de que consumir música deve ter um custo associado. Como qualquer produto ou serviço de que gostamos, queremos ou precisamos. Ser músico é uma profissão como outra qualquer, os músicos também têm família, também comem, também têm casa e impostos para pagar. O problema é que todos nós crescemos com uma ideia - que está acomodada lá atrás na nossa mente - de que no trabalho somos obrigatoriamente infelizes. E se fizéssemos o que gostamos e isso ainda nos pagasse as contas? Só não acontece porque nós, sociedade, acarinhamos insistentemente uma ideia contrária mesmo que não a admitamos. E nós, ouvintes e consumidores, não queremos pagar para ter músicas ou para ouvir ao vivo uma banda - principalmente as que ainda não chegaram às massas. O problema é de todos, é uma falha cultural. Ter acesso à cultura é um direito, claro. No entanto, para que esta se mantenha viva tem de ser alimentada não só pelos artistas, com a sua arte, pelas entidades que têm como missão promovê-la e protegê-la, mas também por quem aprecia o artista ou a arte que este cria. É dar e receber - e devíamos fazê-lo com gosto!




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