30 de abril de 2014

Take Me Away | Capulanas


Eu tenho uma paixão assolapada por capulanas. Não sei se será apenas um gosto como outro qualquer ou se tem por base a minha convivência com a cultura africana desde sempre. Penso ser um misto dos dois. No entanto, essa convivência foi tomando proporções maiores ao longo dos anos, principalmente quando comecei a querer saber quem eu era. Sim, porque em plena adolescência, época turbulenta para a maioria de nós, não conseguia perceber afinal quem eu era com tanta mistura. E perceber a coisa básica de que podemos ser mais que uma coisa? Foi difícil mas cheguei lá. Foi difícil porque socialmente rotulamos tudo: isto é isto e aquilo é aquilo. Quando na verdade anda tudo junto e misturado, sendo precisamente isso que nos enriquece. Andei zangada com muita coisa mas quando a fúria passou fez-se luz. Aí tive a prova de que a conclusão mais simples pode ser enevoada por sentimentos que te cegam a razão. 

Retomando a conversa das capulanas, sempre que vejo alguma, automaticamente sinto em mim o calor de África. Nem estou a falar do calor físico, mas sim o bom que caracteriza África e torna o ambiente quente, acolhedor e único. Vem-me à memória as cores, o pôr-do-sol, os cheiros, as pessoas, a calma. Lá, o tempo tem um conceito diferente. Há tempo, é isso. Há tempo para ser e estar, há tempo para olhar e observar, há tempo para cumprimentar e conversar, há tempo para comer sem correrias, há tempo para trabalhar e ainda dar um mergulho. Há tempo! Quando me descobri, ou pelo menos quando descobri uma parte importante de mim, descobri também os bubus tingidos de Cabo-Verde, dei mais atenção aos bubus padronizados de Angola que o meu pai trouxe nos anos 70 e às capulanas de Moçambique que me ofereceram - começando também a encomendar. Descobri que os trajes típicos também contam a nossa história porque são parte da história e evolução de um país e das suas gentes. Os trajes fazem parte da identidade de cada povo.


No entanto, torço o nariz quando agora se fala em estilo étnico. Afinal o que é étnico? Para mim, é tudo o que estiver relacionado com uma determinada etnia, seja ela qual for. Mas, neste caso, quando se fala em estilo étnico este está associado a tudo o que não corresponda ao Ocidente, ou melhor dizendo ao estilo ocidentalizado. Nesta ordem de ideias, até o estilo dito Ocidental também é étnico. Mas talvez não valha a pena aprofundar o tema. E assim, em jeito de conclusão, digo-vos que adoro fusões de estilos. Melhor, adoro fusões de tecidos tradicionais com um design contemporâneo. Aí, fico rendida. Ver uma capulana transformada numa peça de roupa do tal estilo ocidentalizado, ou vê-la como forro numa peça de mobiliário...é assim um colírio para os meus olhos! Elas, as capulanas, estão na moda. Mas, para mim, são uma fonte de inspiração que me permite estar sempre perto de uma parte de mim.




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1 comentário:

  1. Eu pessoalmente adoro este tipo de padrões mais etnicos, são tão lindos *-*

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