3 de setembro de 2013

O Prazer de Comer



Ando à procura da comida perfeita. Sim, impossível a busca da perfeição de algo ou alguém. Não me importa, é uma busca que me satisfaz porque pelo caminho experimento muita coisa boa...e má também. Gosto de comida simples, tradicional, de tempero apurado. É fácil agradar-me. Posso até experimentar cozinhas de fusão, pratos que reinterpretam o tradicional mas o puro prato tradicional é o que me conquista. Aliás, comer, para além de uma necessidade óbvia, é um dos grandes prazeres da minha vida. Dou muito valor à qualidade e quantidade do que como.

Pode não ser habitual ouvir isto vindo de uma mulher, dado os conceitos sociais pré-concebidos, mas sou um "bom garfo". Modéstia à parte, sou a melhor companhia para se ter durante a refeição porque tenho gosto em comer. E penso que o acto de tomar uma refeição é das melhores vivências que podemos partilhar com os outros. São momentos de convívio e até de descoberta. Daí podem tirar a conclusão de que não gosto de comer sozinha, embora algumas vezes seja inevitável. E as refeições em família ou em casa entre amigos sabem melhor...e à medida que os anos passam, mais percebo isso. E conforme as vidas se afastam, mais falta sentimos disso e percebemos o quão importantes são estes convívios que envolvem boa comida e as pessoas mais importantes da nossa vida.

Nem tudo se resume a comida, eu sei. Mas digam lá se algumas das melhores memórias que tens com família e amigos não envolvem comida? Jantares, almoços de domingo, churrascadas de fim-de-semana, festas de aniversário, beber um copo a petiscar só porque sim. A comida é um elemento agregador que nos junta nas mais diversas circunstâncias. Tanto nas circunstâncias mais alegres como nas mais tristes...todos sabem do que falo, certo? No seguimento do meu fervor pelo mundo gastronómico, cozinhar tornou-se uma grande paixão, embora tenha a frustração de fazer melhor doces do que salgados - eu queria o contrário. Adoro comida tradicional portuguesa mas adoro igualmente encontrar sabores de outros locais do mundo.


Gosto de comer bem, por isso, umas amostras no fundo do prato é igual a nada. Nada contra quem goste mas, por exemplo, para mim a experiência de comer fora não passa por pagar uma fortuna por um prato gigante com uma colherzinha de chá de cada coisa. Sim, dizem que é pela experiência e o objectivo é provar. Ok, uma coisa é ir provar, outra coisa é ir comer. Desta forma, se for para comer, gosto de saciar o meu apetite e fazer jus ao que paguei. Comendo apenas um prato, não compactuo com amostras que custam mais do que eu ganho num dia de trabalho. No entanto, acho que é uma experiência tal como tantas outras que têm um nicho de mercado, um público-alvo, um público fiel ao conceito e, por isso, a sua existência faz todo o sentido. Quanto a mim, escolho bem onde vou. No entanto, engano-me várias vezes, principalmente em viagens onde não estou tão familiarizada com a realidade local. 

Actualmente, estou a gostar muito de umas novas tasquinhas que andam a surgir com um twist de modernidade, sem deixar de lado o bom que o tradicional tem. E, claro está, sinto-me em casa nos restaurantes tradicionais portugueses, tanto nas ditas tascas - que parece que voltaram a estar na moda -  como nos restaurantes em que parece que estamos na casa da avó. É onde dá para conviver com mais liberdade, comer bem, pagar pouco, rir alto, beber sangria ou, quem sabe, Casal Garcia (adoro!). Living the good life à boa maneira portuguesa.

E para quem não conhece a nossa realidade e não sabe se entrou num restaurante típico português, ficam aqui os clichês: O empregado de mesa tem calças pretas e camisa branca? Então estão no sítio certo. Por acaso ele tem bigode? Então não há engano. E vocês dizem: "Mas quem nos atendeu foi uma senhora de meia idade, muito simpática, tratou-nos muito bem e tem uma bata aos quadradinhos". E eu respondo, "Estão no restaurante da avó". E nestes dois tipos de restaurante hão-de comer em loiça branca ou de barro, serão servidos em travessas de inox, e a conta muito provavelmente poderá vir em forma de papelinho rasgado e escrito à mão. Por vezes, até se encontram estabelecimentos que são um misto de tasca com restaurante da avó...aí é que é - real portuguese heaven :D




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Montagem: Carina Teixeira

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