21 de agosto de 2013

Destinos Improváveis | Pomerode


Dizem que Pomerode é "A cidade mais alemã do Brasil!". Estará correcto? O nome desta cidade brasileira deriva do nome de uma região europeia "extinta" no século XIX, pelo que actualmente o seu território fica dividido entre o norte da Polónia e da Alemanha. Esta região era a Pomerânia ou Pommerland/Pommern, que tinha a sua própria cultura, gastronomia e língua - Pommersch ou Pommerschplatt. Ao longo da história, verificamos que a Pomerânia nunca foi independente, esteve sempre sob domínio de vários impérios e potências. Devido a essas instabilidades a nível de administração territorial e numa perspectiva de procurar melhores condições de vida, os pomeranos iniciaram, no século XIX, a sua imigração em massa para os EUA e Brasil.

Focando-me apenas no Brasil, os imigrantes pomeranos povoaram principalmente a região de Santa Catarina - sul do Brasil - pelo que a maioria instalou-se no conhecido Vale Europeu. Este vale é composto pelas cidades com maior número de descendentes alemães e, neste caso, pomeranos, como por exemplo Pomerode, Blumenau, Brusque, Rio do Sul, entre outros.

 

Acredito que, actualmente, os pomeranos-brasileiros sintam que os seus costumes e herança cultural é de facto alemã, dado que muitos dos seus antepassados vieram da Pomerânia de território alemão. Contudo, embora estejam intimamente ligados à cultura alemã, a Pomerânia e, por consequência Pomerode, têm particularidades que os distingue amplamente da Alemanha. Atrevo-me a dizer que a Pomerânia pode ser considerada uma nação porque tinha um povo, uma língua e costumes únicos.

Acredito também que os pomeranos-brasileiros - passadas 5 gerações dos seus antepassados terem chegado ao Brasil - se sintam muito mais ligados à cultura alemã em comparação com os seus ancestrais que talvez sentissem que eram apenas Pomeranos e não Alemães. Fascina-me o acto bem sucedido de se transplantar uma cultura, que floresceu noutro continente, e conseguir preservá-la até aos dias de hoje. Isto é a grande prova de que, embora as terras não possam ser transportadas connosco, a nossa cultura e valores são bens imateriais que vão para onde quisermos levá-los.  

Quanto à língua pomerana - Pommerschplatt - é falada por milhares de pessoas não só em Pomerode como no Vale Europeu. Algumas pessoas mais velhas e as que vivem mais isoladas nas serras, ainda não sabem falar português ou têm bastante dificuldade. Em regra geral, a população é bilingue sendo que muitos também falam alemão. A língua pomerana passou a ser ensinada em algumas escolas da região e, embora não tenha uma aplicação prática no mundo exterior,  penso que é um elo de ligação a um passado não muito distante que possibilita manter a identidade pomerana coesa e forte.


A imagem que nos passam do Brasil, através de novelas e pacotes turísticos, é o oposto do que encontramos nesta terra de ar castiço, com casas enxaimel, de gente com ar eslavo! E para se juntar a tudo isto, vangloriando positivamente a sua cultura, organizam anualmente uma das maiores festas do sul do Brasil. Esta festa é a Festa Pomerana, com um slogan idêntico ao referido lá em cima, sendo "A Festa Mais Alemã do Brasil!", realizou a sua 30ª edição em Janeiro deste ano, tendo recebido quase 90 mil pessoas em 11 dias de festa! A Festa Pomerana está repleta de actividades e convívios onde se poderão encontrar grupos de dança folclórica, concursos e jogos típicos, um concurso para eleição da Rainha da Festa Pomerana, o desfile cultural, artesanato e, como não podia deixar de ser, a bela da gastronomia pomerana!

Em termos turísticos, penso que existe mais afluência interna e de países vizinhos do que de outros continente. Acredito que se o turismo de Pomerode se massificar perderá algum do seu encanto, calma e unicidade que uma terra pequena daquelas oferece a quem a visita. E, por isso mesmo, há poucos sítios onde ficar, mas há muito para conhecer e provar. Já ouvi falar tão bem do pequeno-almoço colonial! Mas se um dia lá for, aliás quando lá for quero ir em Janeiro para a Festa Pomerana. Quero conhecer Pomerode com e sem festa, percebê-la e sentir o peso histórico daquela gente.

Em conversa entre amigas, por vezes, perguntam-me se gostava de ir ao Rio de Janeiro, Porto Galinhas, Fortaleza, Salvador da Baía, Natal, etc. Existe sempre um compasso de espera entre a pergunta que me fazem e a resposta que dou. Digo sempre que sim, eu quero conhecer tudo, embora existam locais que me chamem mais a atenção do que outros. No entanto, se me perguntassem o que gostaria de conhecer primeiro, diria Pomerode! A minha curiosidade pelo inesperado é maior do que esses destinos de sonho, pois estremece toda a imagem criada na minha cabeça do que é o Brasil. Eu gosto de me sentir tentada a querer conhecer algo que nem toda a gente ainda conheceu!



Site Oficial de Turismo de Pomerode: www.vemprapomerode.com.br



Imagens: Fonte 1 | Fonte 2 | Fonte 3 | Montagem: Carina Teixeira | Conteúdo Histórico: Fonte 1 | Fonte 2 | Fonte 3

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