22 de julho de 2013

Take Me Away | A Minha Primeira Viagem


Fui a Cabo Verde com 15 anos. Esta foi uma idade em que eu estava um pouco out of control e, embora não tenha feito grandes disparates, fiz alguns memoráveis. Bem, mais vale ter feito nessa altura do que agora, certo? 

Esta foi a minha primeira viagem ao estrangeiro. Comecei em grande, hã?! Um voo para África, relativamente curto mas com uma escala, e sem os pais. Comigo tinha muitas expectativas, e, essencialmente, muita vida e energia para gastar durante aquele mês que iria passar em São Vicente e Santo Antão. Foi muita informação para reter naquele mês, era um mundo novo, tudo era diferente, ia conhecer pessoas de que tinha ouvido falar mas que nunca tinha visto presencialmente. Descurei a relação que devia ter mantido com essas pessoas...eu estava constantemente em êxtase, num estado de espírito difícil de domar. Percebo que a idade não serve de desculpa mas esta é a minha desculpa porque é a verdade. Contudo, arrependo-me profundamente de não me ter dado mais a essas pessoas.

Posto isto, esta foi uma viagem inesquecível por terras caboverdianas onde conheci a metade de mim que faltava. Percebi tanta coisa, resolvi dentro de mim tanta coisa. Voltei a Portugal com uma maior consciência do que eu era e de quem eu era. Vivi em Cabo Verde momentos irrepetíveis que não faço questão de voltar a vivê-los...os momentos felizes são difíceis de se repetirem na forma como se deram. Prefiro guardá-los tal como foram.



Conhecia a língua como a palma da minha mão mas não a falava. Desencravei o travão mental e, passadas 3 semanas, falava crioulo fluentemente. Passeei tanto, conheci praias de areia preta, vi tanta terra seca e montanhas, comi tão bem, vivi tão bem, conheci uma cidade cheia de vida e música, pessoas afáveis e conheci outra ilha que parece uma esmeralda de tão verde que é. Ingressei em muitas aventuras em São Vicente e conheci Santo Antão de uma ponta à outra. Uma ilha com um porto histórico rodeado de uma paisagem castanhamente dengosa e a outra ilha humidamente verde e saborosa!

Na hora do regresso a Portugal, chorei como se soubesse que iria ficar 11 anos sem lá voltar. Chorei como se soubesse que nunca mais iria ver aquelas pessoas. Chorei como se tivesse voltado a perder a metade de mim que apenas tinha encontrado aos 15 anos. Chorei sozinha num avião repleto de gente. E por mais que a hospedeira me quisesse ajudar, o choro era compulsivo e essencial para que pudesse continuar em frente.

Nunca mais voltei a Cabo Verde. Estou sempre a par das novidades que acontecem por lá mas não tive, voluntariamente, a oportunidade de lá voltar. Aquelas pessoas a quem me devia ter dado mais e não me dei, já cá não estão e, por isso, sinto uma certa aversão em voltar e sentir que aquele arrependimento está mais vivo do que pensava. Desde então, prefiro investir o dinheiro que poupo para as viagens, em outros locais que ainda não conheço. Tem sido bom fazer isso porque a riqueza que trazemos connosco ao viajar é impagável. Ando pelo mundo que o meu bolso permite mas sei que um dia terei de voltar à outra metade de mim, Cabo Verde!

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Estou a pensar fazer um Roteiro da ilha de São Vicente e Santo Antão. Quem é que alinha?


Imagens: Fonte 1 | Fonte 2

6 comentários:

  1. Ai Cabo Verde terra 'sabe'!

    :)

    Bjs

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  2. lindo... palavras verdadeiramente sentidas... :D

    (Roberto Santos)

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  3. É incrível como guardas de forma tão viva tudo aquilo que sentiste quando lá tiveste:)

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    Respostas
    1. Foram emoções muito fortes. Encontrei metade de mim, parte da minha identidade.Acho que todas as pessoas que têm mais do que uma origem, precisam de conhecê-las presencialmente.

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