9 de dezembro de 2012

Essenciais | O Santo Casaco


Na sequência do post anterior, quis mostrar-vos duas coisas que levo em todas as viagens. Faça chuva ou faça sol, caiam canivetes ou calhaus, dê o mundo as voltas que der jamais deixarei o meu santo casaco e o tal lenço mágico. Eles salvaram-me em muitas situações difíceis. Situações das do tipo que contei aqui, em que o lenço foi um projecto de lençol muito útil. Mas uma história sobre o casaquinho – ai bendito casaco! – conto agora.

Em Maio de 2011 fizemos escala em Madrid para, posteriormente, irmos para Bristol. No momento em que aterrámos em Madrid estavam 35º C, sendo que a temperatura em Bristol era até então desconhecida. Estivemos mais de 6 horas em Madrid, ou melhor, a cirandar pelo mega aeroporto de Barajas, dentro e fora dele, com um calor abrasador.

Stop! Um à parte:
Nestas 6 horas, eu e o Helder, adicionámos algo super importante ao nosso dicionário mental Espanhol-Português/ Português-Espanhol. No McDonald’s do Terminal 4 aprendemos que pepino é pinpinillo. Estivemos 10 minutos a tentar explicar em portunhol, português e inglês que não queríamos pepino nos hamburguers. Fez-se luz na cabecinha de alguém, de quem não consegui ver a cara, que gritou lá atrás da cozinha “sin pinpinillo!!!”.

As nossas 6 horas no aeroporto de Barajas, Madrid - umas horas nada produtivas!

Continuando…com aquele calor insuportável, o lugar do meu casaco foi sempre em cima da bagagem. Quando chegou a hora de entrar no avião, nem me passou pela cabeça que poderia estar frio em Bristol.  A única coisa que ouvia e sentia a estalar dentro da minha cabeça era uma espanhola a hiperventilar, completamente histérica agarrada a um inglês, que não conhecia de lado nenhum, dizendo o quão aterrorizada estava de estar num avião. Bem, de certeza que o piloto nos informou sobre a temperatura antes da aterragem, eles dizem sempre, mas não ouvi. E, sabe-se lá porquê supus que iríamos sair do avião para o aeroporto através daquelas mangas/ túneis que ligam o avião ao aeroporto. Obviamente que foi uma suposição que não passou de uma suposição.

Quando abriram a porta do avião e saí tive uma das piores sensações físicas que já senti. Foi um choque de temperatura tão grande que deixei automaticamente de pensar. Senti facadinhas pelo corpo todo e saí a correr pelas escadas do avião até a um sítio que me pareceu mais abrigado. Quando me dei conta estava o Helder a olhar para mim incrédulo e perguntou-me com um ar de WTF?: “O que é que se passou?”. Foi mais ou menos aí que voltei a mim. Vesti o meu casaco e voilà, o mundo pareceu todo ele muito mais aconchegante, embora o frio fosse permanente.

Ainda a sofrer consequências do choque térmico, o segurança que só nos deixa passar quando olhar 1000 vezes para a nossa cara e para a mesma cara no cartão do cidadão  - digamos que o cartão não nos favorece, parecemos todos bandidos em potência - olhou-me com um ar estranho. Quando o senhor me deixou passar, ao olhar para o meu reflexo num vidro, apercebi-me que estava com cara de bezerro assustado depois daquela tareia de 10º C no corpinho. Meus queridos 35º C graus madrilenos que desfrutei durante essa tarde! E meu Santo Casaco que te tenho sempre perto de mim em terras estrangeiras! :D

Foto 1: O Santo Casaco no avião |  Foto 2: O Santo Casaco pendurado num hostel

E tu, também tens um Santo Casaco?

VEJAM TAMBÉM:
Essenciais I: O Lenço Mágico

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