22 de novembro de 2012

Take Me Away | A Minha Terra



Qual é realmente o pedaço de chão a que tu podes chamar “a minha terra”? O sítio onde nasceste? O sítio onde cresceste? O sítio onde está a outra parte das tuas origens? Ou o sítio onde decidiste viver, seja fora ou dentro do teu país?

Respostas relativistas assaltam-me a mente! E na realidade, para mim, a minha terra é tudo isto! Pode ser mais que uma coisa porque nós próprios não somos feitos de um só pedaço de história. Nós somos o culminar de várias estórias dentro da História, de decisões e desilusões, de migrações e rebeliões!

A minha terra são os locais onde eu nasci e vivi, são todos os locais onde os meus antepassados nasceram e viveram possibilitando, assim, a minha existência. Devo lealdade a todos esses locais, respeitá-los é respeitar-me a mim própria. Existem obviamente preferências, criadas de forma inocente, apenas porque criamos um laço afectivo maior com a terra que conhecemos de perto, com a terra que nos viu crescer, onde adquirimos conhecimentos de vida, onde fizemos os primeiros amigos, onde conhecemos o homem ou a mulher da nossa vida.

Quando viajo, quando me ausento mais do que gostaria é a terra onde cresci que o meu coração chama. Mesmo que, no dia-a-dia, aponte defeitos a esse local. Mas as coisas e as pessoas que amamos têm defeitos, nada é perfeito.

Muitas vezes penso: “Se te dessem uma casa em cada ponto que consideras que fazem parte da tua terra, qual escolherias para viver?” Respondo, sem ter em conta melhores ou piores condições de vida que poderia ter: “A terra onde cresci.” Por mais ligações e salpicos culturais que fazem parte de mim e de como fui criada, o local onde crescemos molda-nos de uma forma tão intensa que só com o passar dos anos damos conta de como isso é real e tão presente em nós. Juro que há uns anos não tinha noção disso, de como sou ligada ao local onde cresci. Bem, acho que estas descobertas fazem parte daquilo a que chamamos crescer


Foto: Carina Teixeira

1 comentário:

  1. Excelente reflexão, Carina.

    Nós, somos nós e a nossa circunstância (parafraseando Ortega Y Gasset), tudo o que nos rodeia, as nossas vivências, as nossas memórias, as memórias dos nossos avós, fazem parte integrante da nossa maneira de ser. Somos a SOMA de tudo isso.

    :)

    Bj

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